sábado, 14 de abril de 2018

O serviço sujo da mídia



14 de Abril de 2018.
Um sírio bate o recorde de resistência no Big Brother Brasil.
Todos torcem por ele.
Em seu país, mísseis caem na cabeça do povo.
Os EUA agradecem à França e ao Reino Unido pela "ofensiva" contra Assad.

Na televisão, sites, jornais...
Parece que tudo não passa de mera política,
Um jogo de cartas marcadas.

Começa o Campeonato Brasileiro.
Concentração total para o sábado de futebol.
Nas bancas, os álbuns de figurinhas estão esgotados.
Armas, drogas, sexo.
Exército.
Ocupando as favelas e Marielle morta.

Nada como um dia após o outro.
Copa do Mundo na Rússia.
Trump, Temer, Tropas.
Já estamos acostumamos.

A mãe conversa com o pai na cozinha.
O cachorro late.
O zunido que rompe o silêncio aqui não é de bomba.
Algum eletrodoméstico chato.
O relógio anda...
Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos.
Anos e anos.
Auschwitz. Venezuela. Favela da Maré. Bairro Getúlio Vargas.
Faixa de Gaza. Hiroshima. Ruanda. Dandara.
Impeachment. Vila da Quinta.
Parque Guanabara.

Os pratos estão servidos.
A mesa esquenta.
Há comida, música e uma TV ligada.
Armas, armas. Uma internet monitorada.
Quem às produz? Quem às distribui?
A TV não fala.
Medo de quem?
Quem é o vilão?
A poesia? O povo?
Ou quem aperta o botão de terno e gravata?


*  Ilustração produzida para o livro "Nossas Vidas", que nunca foi publicado.

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