terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal


Caros amigos e amigas

É chegada a hora!!! Aves reluzindo ao forno em sua pele mais do que crocante. Ao fundo Luan Santana canta "Então é Natal". A árvore pisca em múltiplas cores e aquele vizinho chato fica dando tiro de 22 para cima.
Antes da ceia a turma já começa a atacar os salgadinhos... um a um, canudinhos, cachorrinhos, pizza de sardinha, começam a desaparecer da mesa, juntamente com as latinhas de cerveja que haviam no refrigerador.
Há 20 anos a criançada saia para frente da casa brincar de esconde-esconde com as demais crianças da quadra. Hoje, ficam no Facebook apreensivas, angustiadas, sem saber o que fazer, porque não têm ninguém on-line. Na TV passa a animação inédita da Turma da Mônica (alguém fala que preferia o Shrek de novo!).
O primo bêbado toca a campainha, chorando, dá um abraço forte e não para de repetir a mesma frase: "Eu te amo! Tu sabe que tu é meu brother, meu irmão, te considero! Tu sabe!"
Na cozinha, a mãe já entregou os pontos. Cansada de fazer salgadinhos, docinhos e assar o Chester, conta as horas para chegar a meia-noite e ver todo mundo se empaturrar.
Chega Meia-noite. O CD no pause é disparado e John Lennon canta "Happy Xmas / War is Over", música de Luan Santana, versão inglês!
Todo mundo se abraça, se beija. Cada um em seu pequeno universo individual faz sua oração, seus pedidos. E a mãe pede uma namorada bonita para o filho trintão encalhado. O pai, que o filho trintão encalhado consiga um bom emprego e possa assim sair de casa e aliviar as contas. A vó, lembra do vô que já partiu e não pede nada. A filha continua a contagem regressiva até a 1h, esperando o namorado chegar para sair e "continuar a festa".
O cunhado chato diz que o Chester ficou meio duro, estava frio e salgado, e que podia ter ficado melhor.
O primo bêbado abre o porta-mala do carro e coloca o som a todo pau. "Show das Poderosas" é a trilha, e grita "Feliz Natal! Feliz Natal!"
O vizinho chato dá mais três tiros de 22, só que dessa vez não é para o alto.
Chega a polícia! Com suas luzes enfeitando a rua.
Um sinalizador cai sobre uma casa distante que pega fogo. Os bombeiros são chamados.
Sirenes, Anitta, foguetes, tomam conta da cidade.
Então é Natal! E lá no cantinho, embaixo da árvore um pequeno presépio feito de resina, importado da China e moldado pelas mãos do trabalho infantil.
Já são 2h da manhã. Quem sobreviveu dorme. Alguém vomita no banheiro. A campainha toca e ninguém atende, com medo de ser ladrão (ou mais um parente chato).
Genro, cunhado, tio, tia, primo, avó... todos dormem em camas, sofás, colchões espalhados pelo chão da casa. Ouve-se um som modelo AK-47 que faz ratatatatata!!! Mas ninguém se acusa!
Daqui a pouco o Sol estará a pino. Os bem-aventurados já se agilizam para a praia, outros ficarão dormindo até a ressaca passar. A mãe é a primeira a levantar para começar os preparativos do almoço e o pai na sequência, para assar a carne do churrasco.
Então é Natal... daqui a uma semana Reveillon e tudo isso terá valido a pena, principalmente a do Chester (que na verdade estava cru, emborrachado e sem gosto), bicho que eu nunca vi e nem sei que cara tem.

Um Feliz Natal para todos! Que vivam intensamente este momento! Que façam valer cada segundo com suas famílias, por mais trágico que isso possa ser! Que renovem suas esperanças de um futuro melhor! Que aproveitem o momento para serem mais humanos, mais solidários, mais cooperativos, mais coletivos! Não esperem pelos políticos para fazer o mundo acontecer! Busquem ser dignos, não se deixem abater e lutem, pois só na luta é que se transforma a vida! Muita saúde e felicidade para todos! E desculpem o texto acima... ele foi escrito com muito carinho e com a única intenção de fazer todos rirem! Se não funcionou, tem o cartum que eu fiz agora de madrugada e pode ajudar!

Beijos e Abraços!
Wagner Passos

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

1ª Bienal Internacional da Caricatura em Porto Alegre


Nos dias 11 e 12 de dezembro, acontece em Porto Alegre, no Centro Cultural CEEE Érico Verissimo, o ciclo de debates da 1ª Bienal Internacional da Caricatura, evento itinerante que vem ocorrendo em todo o Brasil e que teve sua abertura no dia 27 de novembro, com exposição de charges e cartuns no centro cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro, encerrando-se no dia 30 de março de 2014. Além do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, uma série de atividades ocorrerão também nos estados do Piauí, Alagoas, ceará, Paraíba, São Paulo, Pernambuco, Pará e Paraná.

Em Porto alegre ocorrerá dia 11 (quarta-feira), a partir das 16h30, o lançamento do livro "História da Caricatura Brasileira" de autoria de Luciano Magno, organizador nacional da bienal. Neste dia o debate será sobre o patrono da caricatura brasileira, o gaúcho Manoel de Araújo Porto-Alegre, conhecido também como Barão de Santo Angelo.
Nascido na cidade do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, em 1806, Manoel de Araújo Porto-Alegre viaja para a Europa, em 1831, a convite de Jean-Baptiste Debret, pintor francês que integrou a Missão Artística Francesa (1816) e fundou, no Rio de Janeiro, a Academia Imperial de Belas Artes, para estudar com o Barão de Gros, mestre de outros caricaturistas franceses, como Charles Philipon. Convivendo com toda a efervescência cultural de Paris, oportunidade em que estabeleceu contato com os principais artistas dos movimentos romântico, realista e pré-impressionista, retorna ao Brasil e, em 1837, lança, no Rio de Janeiro, a série intitulada "Caricatura", ganhando destaque no país por trazer um trabalho que até então era realizado apenas na Europa. Posteriormente, apresentou aquele que seria o primeiro trabalho em que faz uso da estética da charge e da caricatura pessoal, impresso como estampa avulsa para o Jornal do Commercio, nº 277, em 14 de dezembro de 1837, alusivo à nomeação do jornalista Justiniano José da Rocha para o cargo de diretor do Correio Oficial.

No dia 12 (quinta-feira), a partir das 16h30, o evento reunirá, além de Lucano Magno, os cartunistas Santiago, Edgar Vasques, Eugênio Neves e Wagner Passos, que realizarão um debate sobre o processo crítico do Humor Gráfico e o ressurgimento da censura hoje no Brasil, além de uma homenagem ao cartunista Canini, falecido no dia 30 de outubro, com a presença do artista gráfico, publicitário e escritor, Fraga.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Arte e Educação Ambiental: processos de intervenção

É com grande alegria que convido os amigos para a roda de chimarrão com os professores Michèle Sato (UFMT) e Alfredo Guillermo Martin Gentini (PPGEA-FURG), em um bate-papo que irá render grandes diálogos sobre Arte e Educação Ambiental.
Uma promoção dA Usina das Artes, Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental e V EDEA - Encontro e Diálogos com a Educação Ambiental.
Dia 29/11 (sexta-feira), às 15hs, pavilhão 4, sala 4110.
Participe!!!

Convite para minha defesa de dissertação

Alo amigos

Meu convite para a defesa da minha dissertação de mestrado, sexta-feira que vem, dia 29/11 às 9h, na sala 4110, pavilhão 4, na FURG - Universidade Federal do Rio Grande, no Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental.

"Humor Gráfico: linguagem e crítica para uma Educação Ambiental sem fronteiras"

Banca examinadora:
Profª. Drª. Elisabeth Brandão Schmidt (orientadora)
Profº. Dr. Alfredo Guillermo Martin Gentini (PPGEA - FURG)
Profª. Drª. Michèle Sato (UFMT)

Grande Abraço


Wagner Passos

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Renato Canini, o herói que não estava nos gibis

           
                O dia 30 de outubro terminou mais triste. Por volta das 21h partia um dos heróis do nosso tempo. Como o Superman, que se esconde em um disfarce de jornalista, tímido e quieto, Renato Canini, um dos maiores cartunistas que o Brasil viu existir, era acima de tudo um homem bom, honesto, verdadeiro, carinhoso, um exemplo de ser humano que transcendia o próprio trabalho. Uma pessoa que pôde nos mostrar que a fé move montanhas, nos mostrar a essencialidade da vida, que soube explorar ao máximo seu potencial criativo e com isso, deixar seu legado. Aos 77 anos Canini produzia cartuns compulsivamente todos os dias, e cada vez melhor. Seus desenhos, produzidos com simples canetinhas, algumas já gastas, saltavam aos nossos olhos e nos tirava o fôlego.

                Lembro da última vez que o visitei, sentado em sua cadeira de balanço, conversávamos sobre desenho, sobre curiosidades, sobre o mundo. Ter momentos como este, ao lado de um homem sábio, um artista a ser honrado, era desfrutar de minutos únicos, era uma fração de tempo que precisava ser guardada e também absorvida. Era um aprendizado. Canini, antes de ser um cartunista, era um educador. Nos ensinava, em sua simplicidade, em seu processo contínuo de aprender sobre a vida, que a tal felicidade tem muito mais a ver com o que somos, do que com o que temos. E ao lado de sua alma gêmea, sua amiga, seu anjo e esposa, Maria de Lourdes, mostrou para cada amigo que nunca é tarde para o amor. Foi pelo desenho que se conheceram. Um namoro que começou com a troca de livros e encantava a todos pelo brilho de olhos adolescentes, que se contemplavam e se completavam.

Canini e Zé Carioca
                Canini ficou conhecido por abrasileirar o personagem Zé Carioca, de Walt Disney. Foi nas mãos de Canini e nos roteiros de Ivan Saidenberg, que o papagaio malandro tornou-se símbolo de uma nação, e por causa disso, não agradou nem um pouco o estúdio estadunidense, muito mais interessado em propagar o “american way of life” do que de fato, boas histórias. A vida de ambos se confunde: Canini era muito mais do que o desenhista de Zé Carioca. E Zé Carioca, nas mãos de Canini, era muito mais do que um personagem Disney. Chamado muitas vezes de pai do Zé Carioca – me fazendo lembrar o famoso ditado popular de que pai não é quem faz, é quem cria – Canini adotou o papagaio e deu a ele vida. Quem quiser saber um pouco da história do personagem e da trajetória de Canini pela Editora Abril, indico a dissertação de mestrado do cartunista Eloar Guazzelli, intitulada Canini e o anti-herói brasileiro: do Zé Candando ao Zé - realmente – carioca, (disponível no endereço: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27154/tde-16092009-205951/pt-br.php) e o meu artigo, escrito juntamente com a Profª. Drª. Elisabeth Brandão Schmidt, intitulado Zé Carioca por Renato Canini: uma análise a partir da óptica da Educação Ambiental, (disponível no endereço: http://www.ufpel.edu.br/ifisp/ppgs/eics/dvd/documentos/gts_llleics/gt4/g4wagner.pdf).
                Para quem não sabe, Zé Carioca nasceu com intenções meramente militares. No auge da Segunda Guerra Mundial, em 1941, estava os Estados Unidos em busca de países para integrar as forças aliadas e os Estúdios Disney eram o instrumento mais simpático para essa inserção. Nessa época, com 5 anos, Canini riscava as calçadas da cidade de Paraí, no Rio Grande do Sul, e nem imaginava que um dia viesse a se tornar este fenômeno das artes gráficas.
Walt Disney, ao realizar uma turnê pela América Latina, passando por Brasil, Uruguay, Argentina e Peru, juntamente com outros desenhistas de seu estúdio, conhece o trabalho de outro grande artista brasileiro, o cartunista J. Carlos. Muito interessado especificamente por um personagem que este desenvolvia, em um período em que direitos autorais eram pouco respeitados, copiou o traço e o personagem daquele que se tornaria no grande ícone dos quadrinhos brasileiros. Nascia assim Joe Carioca, ou Zé Carioca, no contexto da "Good Neighbor Policy", ou Política de Boa Vizinhança, realizada pelos Estados Unidos visando a conquista da simpatia dos países da América Latina, lançando os filmes Alô Amigos em 1942 e "The Three Caballeros", no Brasil intitulado Você já foi à Bahia? em 1944.
A Segunda Guerra Mundial acaba em 1945 e o personagem, até então publicado em tiras somente nos Estados Unidos e apresentado nos dois filmes, é esquecido por mais de dez anos. O mundo passa por uma restruturação e novos interesses surgem. Não há mais a grande guerra, e sim a Guerra Fria, o planeta polarizado, interesses comerciais e políticos, e novamente, surge o interesse dos Estados Unidos em retomar parcerias com países da América Latina, principalmente o Brasil. Com esta proposta a Editora Abril, estrutura um estúdio próprio destinado a produzir histórias em quadrinhos e assim, suprir o crescente número de publicações Disney. Renato Canini que em 1969 é contratado pela Editora Abril para desenhar na revista Recreio, é convidado em 1971 a desenhar o personagem Zé Carioca, produzindo aquela que seria a primeira história do personagem desenhada por suas mãos, intitulada O Leão que Espirrava, assinando também o roteiro.
A vestimenta de Zé Carioca era baseada na estética dos homens de negócio da alta sociedade norte-americana, que se apresentavam com ternos, chapéus e bengala. Canini percebe que era insuportável vestir aquela roupa em pleno calor tropical do Rio de Janeiro. Que os cenários e tudo mais apresentados nas histórias do papagaio não tinham nada a ver com a estética carioca e mesmo sem conhecer o Estado da Guanabara, passou a utilizar , revistas, jornais e cartões postais como referência. Renascia assim o personagem Zé Carioca, desenhado por Canini até 1977, quando este produz a última história do personagem intitulada O Fiscal, que expõe questões de corrupção e fala sobre honestidade, em plena ditadura militar, o que faz a mesma ser censurada internamente pela Editora Abril e publicada somente em 1983.
A desculpa da Editora Abril para o afastamento de Renato Canini do posto de desenhista oficial do personagem Zé Carioca se deu por conta de uma determinação dos Estúdios Disney, direto dos Estados Unidos, ao julgarem que o traço do personagem havia, ao longo dos anos, fugido dos padrões estadunindense. Na verdade, ao estudar as histórias de Zé Carioca produzidas por Canini, percebemos não apenas o “abrasileirar” do personagem, ao tornar-se um cidadão do povo, que passava pelos problemas do desemprego, da fome, da falta de dinheiro, o que tornava o personagem em si facilmente identificado pelo povo e, automaticamente, uma crítica contundente a política vigente imposta pela ditadura militar, apoiada pelos Estados Unidos. Ou seja, Zé Carioca de Renato Canini era subversivo e não contemplava os interesses políticos da classe dominante. Pode-se dizer que Canini tentou fazer a revolução por dentro do sistema, e conseguiu. Tanto que os seis anos pelo qual foi responsável por desenhar o personagem, caracterizaram e marcaram Zé Carioca no imaginário popular ao longo dos 40 anos seguintes, recebendo em 2005 um livro especial em sua homenagem, como um dos Mestres Disney de todo mundo, ao lado de Carl Barks, Don Rosa, Giorgio Cavazzano, Floyd Gottfredson e Romano Scarpa.

Livro Mestres Disney, com seleção de histórias de Zé Carioca produzidas pro Renato Canini.


Quem foi Renato Canini?
Renato Vinicius Canini nasceu na cidade de Paraí, no Rio Grande do Sul, uma pequena cidade entre Bento Gonçalves e Passo Fundo, em 22 de Fevereiro de 1936. Começou a desenhar em 1957 para a revista Cacique, publicada no Rio Grande do Sul, no período de 1954 a 1963, pelo Centro de Pesquisas e Orientação Educacionais – CPOE/RS, da Secretaria de Educação e Cultura, distribuída nas escolas de todo o estado. Foi um dos fundadores da CETPA – Cooperativa e Editora de Trabalho de Porto Alegre-RS, articulada por José Geraldo, através do então governador Leonel Brizola. Em 1965, ilustra um pequeno texto no livro Gente e Bichos de Érico Veríssimo, atuando também como cenarista de TV. Em 1967, Canini muda para São Paulo para trabalhar na revista infantil Bem-Te-Vi, da Imprensa Metodista, sendo, em 1969, contratado pela Editora Abril para desenhar na revista Recreio. Desenhando o personagem Zé Carioca entre 1971 e 1977, para o qual adotou um pictograma, um caramujo com uma antena de TV na carapaça, colocando também seu nome em vários elementos do cenário, como "Cantina Canini", "Sabão Canini", "Arroz Canini" entre outros. Era uma pichação em sua própria história, a qual não era possível assinar, sendo todas produzidas, na teoria, por Walt Disney.
Dr. Fraude, personagem de Canini

Não tá no gibi, cartuns de Canini

Ozelefante, cartuns de Canini

Após este período, Canini ilustrou vários livros infantis e criou vários personagens, como Dr. Fraude, Ozelefante, Kactus Kid, entre outros. E nos últimos 10 anos recebeu uma série de homenagens em vários eventos por todo o Brasil, podendo ver em vida o reconhecimento pelo próprio trabalho. Foi patrono da 35ª Feira do Livro da FURG, na Praia do Cassino em 2009, recebendo também no mesmo ano homenagem no FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, Minas Gerais. No início de outubro, dias antes de falecer, Canini recebeu um espaço permanente de exposição no saguão da Universidade Católica de Pelotas, no qual estão expostos vários cartuns e tiras daquele que é de fato seu principal trabalho, lançado em livro em 2010 pela editora Formato: Tibica, o defensor da ecologia, no qual apresenta um dos seus personagens mais marcantes, o índio Tibica, em suas tiras e cartuns criticando a violência, a devastação das florestas, a poluição e a exploração do índio pelo homem branco.
Livro do personagem Tibica, desenhado por Canini

Canini lança o personagem Tibica em 1978 para o projeto Tiras da Editora Abril, com o qual manteve uma relação de afeto e realizou da sua forma a Educação Ambiental pelos seus quadrinhos.

Tira do personagem Tibica, de Canini

Mary Weiss, jornalista e escritora, homenageada com o prefácio do livro “Tibica, o defensor da ecologia”, descreve muito bem a ligação e as possibilidades de Educação Ambiental que as tirinhas do menino indígena oferecem:
Tibica é um personagem ecológico que, unindo seu amor a Deus e à natureza, faz críticas à violência, à devastação das florestas, à poluição e à exploração do índio pelo branco. Defensor da ecologia, demonstra que o assunto é atual desde os tempos bíblicos. Valores antigos em constante renovação. Anti-herói e antiviolência, apesar de os meios de comunicação e até mesmo os quadrinhos estarem carregados de violência como nunca. Dizem que são os tempos, mas isso não justifica... Às vezes satírico, outras vezes fazendo uso de seu ser poético, Tibica conversa com as plantas e com os animais. Sua comunicação carregada de graça, sutiliza e humor atrai não só as crianças como também os adultos. (CANINI, 2010, p. 5)


No que se refere a Tibica, é importante registrar algumas palavras do próprio autor:
Por muito tempo fiz cartum para divertir, mas acredito que temos de aproveitar a oportunidade, justificar o sacrifício das árvores derrubadas para impressão com algo mais. Acho que é o trabalho mais importante da minha vida. Bem mais importante que as cento e poucas histórias que desenhei do Zé Carioca. (CANINI, 2010, p. 95)

                Um dos trabalhos mais recentes de Canini é o livro Pago pra ver, editado pela IEL e CORAG, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre em novembro de 2012, com a presença de vários de seus amigos, como os cartunistas Santiago, Luis Fernando Veríssimo, Fraga, Goida, Lancast e Edgar Vasques. Um trabalho que consiste em uma reunião de cartuns que também apresentam a temática ambiental, retratando a vida do gaúcho no pampa, a beleza do campo, a melancolia, o trabalho, as dificuldades, a concentração da terra pelo latifúndio, o êxodo rural e a urbanização.
Livro Pago pra ver, de Canini


Veríssimo, Fraga, Goida, Canini e Lancast, no lançamento do livro Pago pra ver, em novembro de 2012, Porto Alegre.

Canini autografando o livro Pago pra ver

                Canini, que viveu seus últimos anos na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, fez uma legião de amigos, deixou sua passagem por esta vida marcada pela arte e pelo amor. Pôde, em vida, receber o carinho dos amigos e retribuí-lo em dobro. Uma pessoa que precisa ser lembrada, exaltada, contemplada, estudada. Um exemplo de artista, um herói, como tantos retratados em suas tiras intituladas Não tá no gibi. Sim, Canini não estava no gibi, estava entre nós, simples mortais.

                Ao mestre, nosso muito obrigado por todos os momentos!


quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Pasquim 21

Em algum momento olhamos para o passado e vemos que algo, por mais simples que tenha sido, tem uma grande significância na nossa vida. Ao ouvir histórias e ler sobre os mestres do cartum brasileiro que criaram em 1969 o jornal O Pasquim (Ziraldo, Jaguar, Millôr e outros mais), ficava admirado com a capacidade que esses caras tinham de subverter a lógica e a moral através do Humor. Tive a oportunidade de acompanhar o surgimento da Bundas e posteriormente, o renascimento do Pasquim, então com o nome O Pasquim 21. Comprava toda a semana, sempre que possível e acompanhava as tiradas daqueles caras, os quais algum tempo depois viriam a se tornar grandes amigos, como o Edgar Vasques, Santiago, Moa, Bira Dantas. De repente, na edição 116 deparo-me com uma charge minha! Sim, eu havia finalmente publicado no Pasquim 21. Acredito que esta página do jornal seja um dos maiores troféus que eu tenha conquistado com o cartum. Infelizmente, a edição 117 seria a última, tornando todos que algum dia publicaram ou leram O Pasquim 21, órfão deste que seria o grande celeiro do Humor Gráfico Brasileiro!

A charge fala sobre a Operação Vampiro, que investigou em 2004 a formação de cartel de 24 empresas envolvidas no superfaturamento e tráfico de influência nas licitações para compra de hemoderivados e equipamentos pelo Ministério da Saúde. Publicada na edição 116 do jornal O Pasquim 21, penúltima edição antes do seu encerramento.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Anônimos

É com grande alegria que trago o documentário "Anônimos", o qual produzi ontem (20/06/2013) durante a manifestação popular ocorrida em Rio Grande, integrando as mobilizações sociais que ocorrem em todo o país.

"Anônimos" respondem a pergunta: O que devemos fazer a partir desse momento histórico para transformar a realidade do nosso país?

Agradeço desde já ao amigo e grande compositor Pedro Munhoz por ceder a música "Quem tem coragem" que integra o documentário. Ao companheiro Pedro, meu muito obrigado!

"Somos um, seremos mais,
lado a lado e em frente.
Um mais um nunca é demais,
é poesia, é gente."

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Logo para o Observatório dos Conflitos

Logo que criei para o Observatório dos Conflitos Urbanos e Socioambientais do Extremo Sul do Brasil, no qual sou um dos colaboradores e editor do JornalECO.
Utilizei o Quero-quero como desenho para a logo por ser a ave símbolo do Rio Grande do Sul, cuja tradição o chama de Sentinela dos Pampas, sempre atento ao perigo, sempre avisando no campo algo que está para acontecer, protege seu ninho e usa seu esporão para defesa, fazendo parte dessa interação entre homem e natureza.
http://www.observatoriodosconflitosrs.blogspot.com.br/

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Beija-flor


Fazia tempo que queria desenhar um beija flor... aí está.
Técnica mista: Desenho, estêncil e galho de árvore.

sábado, 9 de março de 2013

Pão Cartum

Hoje na oficina do "Pão Companheiro" organizada pelo Prof. Alfredo Martin e pelo amigo Marquinhos, de Santo Antonio da Patrulha.



quarta-feira, 6 de março de 2013

Alguns dias sem postagem

Peço desculpa aos leitores. Por força maior, mesmo que na luta, as vezes somos obrigados a dar uma respirada. As correrias nas últimas semanas foram grandes. Passou o calor do verão e nem banho de mar tomei, nem Carnaval pulei. Mas prometo que iremos seguir adiante e espero, poder retomar as atividades, toda segunda e quinta-feira, com postagens aqui no Blog.
De brinde, vai um desenho que produzi ontem, na Oficina de Criatividade na aula do Prof. Alfredo Martin. Um Sol e os pássaros seguindo o seu caminho.


Pintar livre
Sem contornos
O pincel que dança por si só
E dá vida às pinceladas imperfeitas.
Não é o erro
É o diferente
Aquilo que cada fio com tinta é capaz de fazer.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Arte no Molhe Leste - São José do Norte

Aqui a reportagem do Jornal do Almoço sobre a arte que produzimos junto ao Molhe Leste em São José do Norte. Bacana a reportagem da Nathalia King. Clique aí e assista!